Reza Hajipour – Realizador, produtor e escritor

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by Ana Carrilho (ana.carrilho@portugalfantastico.com)

À Conversa com Reza Hajipour, realizador e escritor Iraniano, actualmente em Portugal. Começou como produtor de rádio e TV e mais tarde interessou-se em participar em curtas e longas-metragens. A sua primeira curta-metragem “O Primeiro de Traabalho” foi selecionada e exibida no Cinewest Film Festival Australia e Fike Filmfestival Portugal 2007.

PF: Gosta de fazer cinema no nosso país?

RH: Portugal é um país com boas caracteristicas para se fazerem filmes. A maior parte do ano temos sol, podemos aceder facilmente a diferentes locais, em cenários urbanos e rurais, ou filmar numa praia… É um paraíso para um cineasta.

PF: Recentemente o seu filme “The Baby – O Bebé” foi um dos selecionados para o Festival Festin 2013 Lisboa, tendo sido mesmo a curta vencedora escolhida pelo público. Ficou surpreendido quando anunciaram que tinha sido o seu trabalho o vencedor?

RH: Sim, fiquei supreendido porque normalmente os festivais avisam os vencedores um dia antes do encerramento e eu não recebi essa informação. Lembro-me de quando ouvi o meu nome juntamente com a minha curta “The Baby”, perguntar ao meu amigo e assistente de realização Paulo Zumach se tinha ouvido bem. Ele respondeu “Sim, és tu” !

PF: Sentiu algumas dificuldades ao gravar esta curta “The Baby – O Bebé” ? Como foi dirigir os actores?

RH:  Foi muito difícil. A empresa de gestão de equipamentos cinematográficos com que trabalhámos disponibilizou-nos uma camara de 35mm juntamente com todo o equipamento durante 12 horas e eu precisava como adereço para todo o filme. Por isso a única maneira era filmarmos em 12 horas.

Trabalhar com actores profissionais tem muitas vantagens. Não tenho necessidade de explicar tanta vez aos actores como pretendo que façam. Lembro-me que so expliquei uma vez o objectivo a cada um. Tenho de agradecer ao meu amigo João Craveiro e Isabel Pina que fizeram um bom trabaho de casting.

PF: E como surgiu a ideia deste trabalho?

RH: Estava a gravar outra curta na altura, “Análises” e tinha uma cena que o actor principal estava numa clinica e esperava o resultado do exame HIV. Para criar mais tensão à cena  precisava que um bebé chorasse muito naquele momento. Mas a bebé que tivemos na cena era muito simpatica e gira, sempre a rir, tinha uma boa relação com toda a equipa e uma boa interação com a câmara. A mãe da bebé, para faze-la chorar, tirou-lhe uma boneca que ela tinha na mão. Aproveitámos aquele momento e filmámos rapidamente mas eu senti-me muito mal.
Pensei sobre esta situação e logo comentei com a minha assistente, Ana Chagas, que já tinha uma ideia para outra curta. Então posso dizer que a curta “The Baby” é uma auto critica. Também a bebé que está na curta “The Baby” é a mesma com quem filmámos o “Análises”.

PF: O bebé também portou-se bem juntamente com a equipa? Tiveram dificuldade a fazê-lo rir?

RH: Quando quisemos filmar a curta “The Baby”, tinha na cabeça que a bebé (Mia Alves) iria sempre rir e não haveria problema com a sua interacção com a camara. Liguei à mãe e ela gostou da idea e aceitou participar nesta curta também. No dia de filmagem, infelizmente a nossa bebé estava doente, não tinha vontade de ficar em frente à camara e chorava. Então aproveitamos o pouco tempo que ela chorou e filmamos a parte do rir dela em outro dia.

PF: Tem intenções de fazer mais cinema no nosso país?

RH: Claro que sim e com todo o gosto. Uma coisa boa que existe aqui é que em Portugal é que, como um artista podes pensar qualquer coisa, escreves o que queres e fazes o que tens na tua cabeça. No Irão, para fazer uma curta simples encontramos várias dificuldades. Há temas que por lá são tabu que nem sequer podemos pensar a respeito. Lembro-me que para fazer a primeira curta no Irão demorei um ano para ter licença de filmagem. Escrevi a curta varias vezes pois era obrigado a corrigir e a alterar como exigiam. Finalmente, depois de um ano, deram-me autorização para fazer a curta. Com autorização realizei a minha primeira curta. Pena que esta curta nunca foi exibida na minha terra. Quando um artista faz censura na cabeça dele, a arte esta morta. Por isso estou aqui para fazer cinema, e qualquer festival internacional que vou digo, “estou a apresentar cinema português, não cinema iraniano”.

PF: O seu portfólio como realizador/produtor já conta com quantos trabalhos?

RH: Fiz muitos trabalhos, Curta-metragens, documentários, programa televisão e rádio. Tenho 3 curtas metragens e 2 foram feitas aqui em Portugal. A minha primeira função foi de assistente e programador de uma longa metragem que ganhou 7 prémios nacionais “Poços de Anjo”.
Fui produtor executivo numa outra longa-metragem que também foi filmado no Irão e trabalhei 8 anos como produtor de Rádio e num programa de televisão com a duração de um ano.

PF: Com que actores portugueses gostava de trabalhar?

Não tenho muito contacto com actores portugueses nem conheço, quando preciso de actores vou pedir ao meu grande amigo João Craveiro. Ele é actor e tem muitos contactos. Também não gosto de trabalhar sempre com os mesmos actores. Mas quando não há orçamento, muitos actores não estão aptos a colaborar pro-bono, tenho menos alternativas.

PF: Está satisfeito com o seu trabalho até aqui?

RH: Não posso dizer sim, também não posso dizer não. Sim, porque há liberdade de fazer o que quero. Não preciso de ter autorização para filmar. As pessoas são simpáticas. Com bom clima e é um país muito lindo.
Não, porque não há apoios. O País está em crise, e a cultura é vitimizada também.

PF: Os temas das suas produções são todos contextualizados na sociedade, não tem intenção de entrar num outro registo para os próximos trabalhos?

RH: A minha preocupação é a relação entre as pessoas. Acho que sempre vou trabalhar neste tema. Mas isso não significa que quero fazer só filmes clássicos. Posso fazer um filme pós-moderno, acção ou thriller, mas o tema principal será sempre sobre a sociedade.

PF: Reza Hajipur, acha que as co-produções são agora uma alternativa para a produção de filmes em Portugal?

RH: Não só em Portugal. Acredito que fazer cinema esta a mudar. Existem dois tipos de cinema – cinema com apoio e cinema sem apoio. Talvez seja mais fácil dizer, uma é produção que tem dinheiro para fazer um filme e outra não tem. A maiorias dos cineastas jovens estão na segunda divisão. Se não temos apoios não fazemos cinema? Claro que não. Aqui é onde entra a co-produção.
Os dois filmes que eu fiz em Portugal, foi com a ajuda dos meus amigos. Quero também aqui agradecer a todos os que participaram nas curtas.
Nós sem financiamento e apoio, fizemos uma curta que passou em vários países do mundo, desde América do Sul até ao Japão e o canal televisão Eurochannel. Com isto quero dizer que o que é importante, não é sempre o dinheiro.

PF: Acha que o nosso cinema oferece muito pouca acção e é mais um trabalho literário?

RH: Isso é verdade. Desculpem se confirmo, mas quando vejo um filme português fico muito cansado. Já vivo em Portugal á cinco anos e só vi alguns filmes portugueses interessantes. Penso que cinema português tem falta de guião. Porque a parte técnica e actores resulta, mas o guião!!!!

PF: Já tem projectos futuros?

RH: Sim. Tenho uma curta para fazer. Preciso de muito actores e figurantes. Mas desta vez sem financiamento não posso fazer isso. Porque há muitas despesas pois envolve situações como por exemplo a simulação de um acidente, bloquear um cruzamento, fazer animação…
Nunca pedi financiamento antes. E agora precisava, mas se nem para os portugueses há apoios, como é que o governo vai financiar um emigrante.

Obrigada Reza Hajipur pela colaboração com o Portugal Fantástico.

 

 

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