ANDRÉ BADALO (REALIZADOR)

ANDRÉ BADALO (REALIZADOR)by Ana Carrilho (ana.carrilho@portugalfantastico.com)

André Badalo, nascido a 4 de Setembro de 1981, é hoje um dos novos talentos nacionais em realização que ganhou mais prémios lá fora.

Dos seus trabalhos, distinguem-se as curtas-metragens, “Catarina e os Outros ” e “Shoot Me.

PF: André, começou com que idade a filmar?

Bem, os “filmes de terror” que filmava na adolescência com os amigos e amigas… contam? A vontade e entrega já lá estavam, a paixão. Mas a sério, a sério, tinha para aí 19 anos quando realizei o “História de papel” na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Uma comédia que venceu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival Internacional de Cinema de Varsóvia, com o Diogo Infante e a Lúcia Moniz nos papeis principais. Foi a primeira aventura.

PF: O cinema é a sua área de conforto?

O cinema é a minha paixão. Não vivo só do cinema, também faço videoclips, publicidade, etc. Mas o cinema… é o cinema.

PF: É da opinião que qualquer pessoa pode fazer cinema ou é preciso nascer com um dom?

Sou da opinião que… é preciso ter a paixão. Dedicação, determinação, generosidade, e uma vontade imensa de mais, e mais, conhecimento, experimentação e entrega. No cinema criamos sonhos, mundos que brotam “de nós”, com uma linguagem única, cores, formas, sons

PF: É realizador e argumentista dos seus projectos? 

Sim. Alguns argumentos escrevi sozinho, outros em parceria. Normalmente parto para a “aventura” de um novo filme, quando a “ideia” não me deixa dormir. E tenho de expurgá-la. Dou por mim a escrever em bocados de papel, a mergulhar na intimidade das personagens, a sonhar acordado.  

PF: Nas suas aventuras, seduz o público com um elenco sempre excepcional. Como é que conseguiu seduzi-los, aos actores para embarcarem nas suas viagens, com orçamentos baixos ou sem orçamentos.

Com os guiões, as histórias, as personagens. Dizem, que com a minha paixão e “urgência”. Fazendo-os acreditar que se trata, não do “meu filme”, mas, do “nosso filme”.

PF: “Shoot Me” é uma das suas curtas metragens , que conquistou o prémio de melhor filme no festival internacional de cinema de Milão. Trabalhou com Maria João Bastos e Ivo Canelas, como foi trabalhar com eles?

Na nossa área há os Atores e as Estrelas pop, há os que trabalham e os que querem aparecer. A Maria João e o Ivo são dois GRANDES atores. Assim como o Philippe Leroux, que também entra no filme. Dedicados, generosos, metódicos. Criam, atiram-se de cabeça às personagens, entregam-se, são atores por paixão. Aprendi imenso com eles, com o método de cada um, tanto na fase de preparação e ensaios, como na rodagem. Além de serem pessoas super “cool”, com quem dá gosto passar horas e horas. São pessoas especiais, com quem quero (muito) voltar a trabalhar.

PF: A história de Catarina e os Outros é quase um documentário sobre uma jovem vítima de uma realidade muito próxima de todos nós. Como nasceu a ideia para este trabalho? Trabalhaste com a actriz Victoria Guerra que deu corpo a essa jovem?

Eu já estava a trabalhar num outro projeto quando li numa revista uma reportagem sobre um caso de uma miúda de 16 anos, seropositiva, que assumia ter contaminado outras pessoas voluntariamente. Fiquei louco com aquela história, com a monstruosidade daquela “personagem”. Já não consegui dormir. Fiz uma pesquisa intensa, escrevi um guião e convidei uma equipa… Faltava-nos a protagonista, o monstro. Fizemos casting, conhecemos dezenas de jovens atrizes até que… apareceu a Victoria Guerra, que é uma força da natureza. Linda de morrer, inteligente, generosa, determinada, agarrou-se à personagem com garras. É das melhores atrizes da nova geração.

PF: O André esteve também em Azerbaijão , a convite dos produtores Egor e Andrey Konchalovskiy para realizar um dos segmentos que compõe o filme “Baku, I love you”. Como foi a experiência e como surgiu este convite?

Uma produtora amiga do Egor Konchalovskiy, viu uma curta minha num festival de cinema e mandou-me um email de parabéns onde pedia para ver mais trabalhos meus. Eu respondi e passada uma semana recebia um telefonema do Egor, convidando-me para apresentar ideias para um guião e para partir para a capital do Azerbaijão, Baku. Pesquisa feita, guião rescrito, começaram as reuniões de equipa. Ninguém falava inglês excepto o Egor e o meu assistente de realização… Uma produção GIGANTE, uma cidade exótica, o melhor diretor de fotografia russo e a Asia Argento… Felizmente, tudo correu bem. Aguardo agora, com alguma ansiedade, ver o filme num grande ecrã.

PF: Tem ganho cada vez mais visibilidade a nível internacional. Acha que o circuito dos festivais internacionais é uma hipótese à insuficiência da visibilidade e interesse no nosso país?

Os festivais internacionais de cinema são muito bons para dar a conhecer o nosso trabalho e nos abrirem portas, parcerias em projetos futuros. Mas, não sou dos que fazem filmes para o público dos festivais de cinema, que é um publico especifico, de gente que trabalha na área do cinema. Nada contra quem o faz, é a democracia do sistema. Mas eu quero chegar a outros públicos, ás salas de cinema das nossas cidades, e de tantas outras cidades. Quero poder vir a fazer parte, com os meus filmes, da vida de outras pessoas que não frequentam os festivais de cinema. Esse é o meu público.

PF: O André é o exemplo de que com vontade se pode fazer um trabalho em cinema sem orçamento, que isso não o impede de realizar. Mas merecemos subsídio pelo nosso trabalho. Acha que um dia o sistema pode mudar?

O sistema tem de mudar, já está a mudar.

PF: Estudou em escolas de teatro e cinema para chegar até onde chegou. Acha que estas escolas têm algum contributo para a realização profissional e pessoal de quem as frequenta?

Sim. Para mim foi extremamente importante, para a aprendizagem e consciencialização do cinema que eu queria fazer. Procurei as escolas e os conteúdos específicos, sobretudo em Londres e Los Angeles. O conhecimento é a base para a experimentação.

PF: É o André responsável pelo casting dos actores , como é que caracteriza a sua forma de trabalhar com eles?

Sim, sou sempre eu que escolho os actores para os meus filmes, ou melhor, para as personagens dos meus filmes. Depois, como o Billy Wilder dizia, “temos de ser o melhor amigo, o psiquiatra e um grande cabrão”. Aberto e predisposto ás sugestões, á experimentação, mas sempre fiel á “ideia e linguagem do filme”.

PF: Existem alguns cineastas portugueses que identifiques os teus projectos com os deles?

Nem por isso. Admiro alguns, mas não me identifico propriamente com nenhum.

PF: E próximos projetos, o que tem o André para partilhar conosco.

Agora vou estrear uma nova curta-metragem, primeiro em festivais e depois (espero) em sala de cinema. “Cachecol Vermelho”, um thriller com o Paulo Pires, Joaquim Monchique, Rita Salema e João Perry. E estou a preparar duas longas (em co-produção com o Brasil e Inglaterra), para filmar em breve, um thriller e uma comédia (que já começamos a filmar). Além de, com a minha produtora Original Features, estar a produzir e co-produzir projetos de outros realizadores, nacionais e internacionais. Como investimos em material próprio, comprámos a nossa Alexa, grua, som 5.1, etc, também queremos “investir” em novos talentos, novas ideias, sangue novo. Além de, alugar-mos também material a preços mais competitivos que as empresas de aluguer. Bem, e para me despedir… Visitem-nos em ORIGINALFEATURES.PT e mandem-nos propostas, guiões, ideias, venham trabalhar conosco.

 

Obrigada André Badalo pela sua colaboração.

 

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