Leandro Vale – Actor, encenador, radialista, escritor e jornalista

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by Ana Carrilho (ana.carrilho@portugalfantastico.com)

Estivemos à conversa com Leandro Vale no acolhedor restaurante “Apeadeiro do Rego” – Casa tradicional portuguesa

Leandro Vale nascido em Travanca de Lagos/ Oliveira do Hospital a 18 de Agosto de 1940.

Actor, encenador, radialista, escritor e jornalista, um espírito visivelmente humilde e humanista com numerosos papéis feitos em cinema e televisão. Na RTP Açores mantêm um programa semanal, durante 6 meses, pó do teatro, onde leva vários convidados do Continente. Foi um dos Fundadores do CITAC (Circulo  de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra) em 1955. Trabalhou durante vários anos no Teatro Experimental do Porto, tendo criado, nesta cidade as companhias Teatro Popular do Porto e Teatro Infantil do Porto.

Depois do 25 de Abril Leandro esteve nas origens do Centro Cultural de Évora.

Após saída de Évora em 1980, cria a primeira companhia profissional de teatro no norte, Teatro de Ensaio Transmontano, em Vila Real.

Leandro trabalhou com Leonel Vieira o realizador, na longa-metragem Sombra dos Abutres.

PF: O Leandro começou muito cedo a fazer peças de teatro em televisão, era militante do partido PCP, isso trouxe-lhe conflitos entre os seus colegas?

Leandro: Nunca tive problemas pois soube sempre separar as águas.

PF: Tem escritos 179 peças teatrais , dos quais 102 representadas. Tem dedicado a sua vida á divulgação de actividade teatral. E esteve pelos Açores também…

Leandro: Passei por lá grande parte da minha vida, vivendo em quase todas as ilhas do arquipélago, principalmente em S. Jorge, (3 anos) onde a convite do Município das Velas desenvolvi um projecto  que finalizou com a criação de 8 grupos de teatro num concelho de 3.000 habitantes.

PF: Recentemente foi “coroado” com o prémio de melhor actor na curta-metragem de Rui Pilão, Aqui Jaz a minha casa, pelo Blog Cineuphoria. Gostou de interpretar este personagem?

Leandro: Há sempre personagens que nos tocam mais do que outras…embora todas, quando aceitamos um papel, tenham de ter tratamento de amizade por parte de quem as interpreta. No entanto algumas há, como disse, que ficam um pouco mais agarradas a nós para sempre. Foi o caso do Januário Garcia do Mau Tempo no Canal, foi o caso dos Malefícios do Tabaco e de mais uma meia dúzia. No entanto esta personagem da Aqui Jaz toca-me particularmente por vários motivos mas, mais particularmente por lidar, diariamente, quando estou lá por cima, com personagens idênticos àquele a quem emprestei o meu nome.

PF: Leandro é o autor de “Escritos de Palco” o que nos dá a conhecer nesta obra?

Leandro: Escritos do Palco… Selecção de 7 obras teatrais, editadas no mesmo volume pela Searta das Letras apoiada pela Sociedade Portuguesa de Autores.

PF: Tem visitado Cuba com frequência, a razão está no seu espírito comunista partidário, que defende com muita paixão e dedicação?

Leandro:  Cuba é a minha segunda pátria, Ou, talvez…a primeira. Os meus primeiros contactos com Cuba datam de 1961, no primeiro ano da Revolução Cubana, tema que estou a preparar para uma próxima obra. Desde então tenho ido frequentemente a este país, onde me sinto tão à vontade como em Portugal. Tenho desenvolvido alguma actividade cultural, tendo estado presente no Festival Internacional de Teatro de Havana, dirigindo uma companhia de Holguin, a segunda cidade de Cuba, o Trevol Teatro, num texto de minha autoria, La Obscuridad Transparente, com base no julgamento dos 5 de Miami, sendo, a pedido do Ministério Cultural Cubano, o responsável por uma missão portuguesa que, pela primeira vez, representou o nosso país em Romarias de Mayo, o mais importante certame cultural da América Latina, que se realiza em Holguin.

PF: Hoje em dia valorizam mais os nomes que os talentos?

Leandro: INFELIZMENTE…É VERDADE…há muita cama à mistura…

PF: Qual é a sensação de conquistar as reacções e as emoções de uma plateia?

Leandro: Emoções…Temos de encarar a situação vista por 2 ângulos: pelo lado profissional que nos dá muito gozo quando vemos o público estar connosco e nós passarmos para o lado do público. Por outro lado temos que dominar as emoções para que o vedetismo não suba à cabeça…

PF:  E no fim qual é o sentido da vida?

Leandro: VIDA… A vida não é tão difícil como por vezes nos parece ser. Não terá grandes complicações se nós pensarmos que é uma passagem bem curta para podermos sonhar. Portanto o melhor será termos os pés bem assentes na Terra e sonharmos através dessa segurança, estando sempre preparados para mudar de caminho em qualquer esquina sem mentirmos a nós próprios.

Leandro  conta com um baú de memórias onde vamos encontrar mais de mil homenagens, prémios de encenação,, rádio, outras actividades e presenças em vários eventos, especialmente festivais de teatro, a níveis nacional e internacional     (Espanha, França, Suiça, Bélgica e Cuba) . Como últimas produções nestes últimos anos vamos encontrar 8 Dias nos 80 de Fidel, crónicas de viagem aquando da sua participação, como convidado especial nos oitenta anos de Fidel de Castro, Escritos do Palco, colectânea de sete textos teatrais editados pela Seara das Letras com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores, História do Pouca Terra e da Formiga Rabiga, texto apresentado no final de uma formação que o ano passado decorreu em Aviz, apresentado pela Poejo Editora e Cuba Meu Amor, um livro de poemas edição do autor, publicado em Dezembro, com o apoio da Embaixada de Cuba em Lisboa.

Com duas paixões, a rádio e o fado. Ficamos a saber depois da nossa “tertúlia” mais do que uma entrevista, que o actor Leandro Vale também canta fado. Talvez numa próxima tertúlia possamos ouvi-lo.

 

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